Mixchiveous #4: (Not so) Hippest Hits 09

27 12 2009

Dessa vez não só os mais recentes, mas também os mais importantes de 2009 entraram pra mixtape. Não vou comentar todas as 29 faixas, mas acho que rola dar uma passada pelas novidades.

Esse ano, revisitei algumas eternas paixões como Elis Regina, Sarah McLachlan, Banco de Gaia, Joni Mitchell e Elvis. A canção da Sarah, no entanto, entrou não só porque eu a ouvi várias vezes ao longo do ano, mas também porque ela meio que virou o meu mantra durante esse tempo. É uma oração linda e a voz dela respeita cada palavra. A música da Elis me ajudou em vários momentos e me ensinou a rir deles, porque era o melhor que eu podia fazer.

Esse ano eu finalmente vi certos filmes e foi ótimo descobrir as trilhas sonoras maravilhosas que eles têm: Hair e Cowboy Bebop. Além disso, eu conheci a voz deliciosa e jazzy da Duffy, as vozes combinadas do The Fleet Foxes e a batida da moda do MGMT. Enquanto isso, DeVotchka e o Devendra Banhart preencheram a minha necessidade de música introspectiva, e Goose deu o sinal da batida no começo do ano, lá por Janeiro.

Apesar de tudo isso, minhas maiores descobertas musicais de 2009 estiveram bem mais perto. Foi maravilhoso descobrir sons de compatriotas, e ainda que não sejam lançamentos, foi assim que me pareceram: Caetano, Elza Soares e Os Novos Baianos. Músicas, letras e sons incríveis! A voz da Elza me dá arrepios – dos bons! Foi difícil escolher que música do Otto (esse é mais recente) colocar na mixtape, mas acho que fiz a escolha certa – Ciranda de Maluco tem um ritmo único, sexy, envolvente e vertiginoso.

Outra descoberta maravilhosa foi a cantora Mayra Andrade. Ela nasceu em Cuba mas viveu em Cabo Verde, Paris e Alemanha, o que eu acho que ajudou a bolar uma das maiores criatividades musicais de todos os tempos. Seu “estilo ilegítimo” (como ela diz) me hipnotizou desde a primeira vez que ouvi o cd dela na casa de uma amiga.

Pra encerrar rapidinho, a batida do Sigur Rós em Gobbledigook me deixou sem ar, e a interpretação deliciosa do Brasil pelo Boozoo Bajou me envolveu na batida de Night Over Manaus. E, por fim, Hooverphonic e Gregory and the Hawk me ajudaram a não me sentir tão sozinho nesse ano.

Ouçam com cuidado. Hasta.

Peveland's (not so) Hippest Hits of 2009

This time not the only the latest tunes I’ve heard, but also the most significant ones of 2009 made the mixtape. I won’t go through all the 29 tracks, but I think it would be nice to scan through the newcomers on peveland’s jukebox.

This year I revisited alltime passions of mine such as Elis Regina, Sarah McLachlan, Banco de Gaia, Joni Mitchell and Elvis. McLachlan’s song though, is here not only because I listened to it over and over this year, but also because it became sort of my mantra along the whole 365 days. It’s a beautiful prayer and her voice respects all the meanings in those words. Elis’ music also helped me find strength through the roughest times this year and taught me to laugh at it, cause that’s the best I could do.

The movies I finally got to see this year had me wild with their soundtracks: Hair and Cowboy Bebop. Besides that, in 2009 I got to know Duffy’s delicious jazzy voice, The Fleet Foxes’ matching tunes and the trendy beat of MGMT. Meanwhile DeVotchka and Devendra Banhart filled in my need for instrospective music along the year, while Goose took charge of setting the beat back in January/2009.

In spite of all that, my greatest musical discoveries of 2009 lies closer. T’was marvelous to unravel the tunes and beats of fellow Brazilians. It ain’t the latest release, but it felt like it to me: Caetano, Elza Soares and Os Novos Baianos. Incredible songs, lyrics and sounds. Elza’s voice gives me goosebumps – the good ones. Otto (this one a bit more recent), gave me a hard time to choose just one of his songs, but I think I made the right choice – Ciranda de Maluco is one of a kind sexy, embarking and dazzling beat.

Another amazing discovery was the intriguing singer Mayra Andrade. She was born in Cuba but lived between Cabo Verde, Paris and Germany what I believe to have helped one of the greatest musical creativities of all times. Her “illegitimate [music] style” (as she puts it) grabbed me from the first time I listened to her album in my friend’s house. Check her if you can.

To wrap it up quickly: the drums of Sigur Rós in Gobbledigook left me breathless; the rightly read Brazil of Boozoo Bajou took me in it’s beat while, lastly, Hooverphonic and Gregory and the Hawk helped me not to feel that lonely through the whole year.

Listen carefully. Hasta.


MIXCHIVEOUS #4 – Peveland’s (not so) Hippest Hits of 2009
107 minutos. 98mb. Clica aqui pra baixar.

TRACKLIST
1. British Mode / Goose
2. Future Reflections / MGMT
3. Pink Fluffy Dinossaurs / Hooverphonic
4. How it ends / DeVotchka
5. Michigan State / Devendra Banhart
6. Tiger Man / Elvis Presley
7. Tank! / The Seatbelts
8. Eu hein Rosa! / Elis Regina
9. É hoje! / Caetano Veloso e Maria Bethânia
10. Night Over Manaus / Boozoo Bajou
11. A Case of You / Joni Mitchell
12. Dearly Departed / DeVotchka
13. Warwick Avenue / Duffy
14. The Loving Kind / Girls Aloud
15. White Winter Hymnal / The Fleet Foxes
16. Gobbledigook / Sigur Rós
17. You’ll Find a Way / Santogold
18. LBJ / Hair OST
19. Agora Tá! / Elis Regina
20. Own Private Idaho / The B-52’s
21. Halo / Beyoncé
22. Glove Puppet / Banco de Gaia
23. Dura na Queda / Elza Soares
24. Preta Pretinha / Os Novos Baianos
25. Ciranda de Maluco / Otto
26. Eclipse Oculto / Caetano Veloso
27. Seu / Mayra Andrade
28. Prayer of St. Francis / Sarah McLachlan
29. The Point Sometimes / Gregory and the Hawk

ARTE DA FITA: Peve; pattern disponível pra download no flickr (friends only).
* tem um chiado no começo. desculpa. / there is a fuzz in the beginning. sorry.





El fin

24 12 2009

Trés-bién.

Final de ano mais caótico impossível! Talvez não. Melhor não falar para não atrair mais coisa.

Depois de terminar o ano letivo no dia 18 de Dezembro, com entregas de trabalho megalomaníacos até o último segundo e tendo problemas burocráticos, éticos, morais, amorosos, psicológicos multiplicando-se a cada segundo, quando finalmente pensei que poderia descansar, me veio a crise.

O que não é nenhuma surpresa, já que eu imaginava uma estafa devastadora. Incrível como quando você vai aturando e calejando reações, expectativas e frustrações ao longo de um certo tempo, depois, quando a maré baixa, você fica lá, parado na areia dura, sentindo a ressaca fugidia.

É quase como ficar órfão. Não que eu tenha ficado, mas é como eu imagino que seja. Projetos são criações suas, são quase filhos. Não que eu tenha filhos, mas é como imagino que seja. Você deposita esperança, expectativas, se doa muito, até não saber mais porque você está se doando. Você investe tanta energia, até que não sabe mais como e nem de onde está tirando mais energia. Mas daí, quando o projeto acaba, quando a água vai embora, você fica lá, parado, com os pés meio enterrados.

Esse desatolar dos pés é como um parto do filho crescido. Não que eu tenha parido alguma vez, muito menos um filho já crescido, mas é como eu imagino que seja. Você tem que se dar conta de que ele foi embora, ele criou asas e voou, e que você tem que se mover, sair dalí pra outro lugar, senão as vigas se acomodam e você é engolido de novo, sem descanso.

No último dia de aula fiquei vagando pela faculdade como se tivesse que estar ali por algum motivo. Meio sem rumo, meio sem conseguir pensar direito. Até agora estou atordoado. Fico dezenas de minutos olhando pra algum lugar sem conseguir pensar em nada de tão esgotado que estou. Durmo dez horas por noite e passo o dia inteiro bocejando, sem fazer nada, descansando. Não sei se descanso, mas sei que não faço nada. Não sei se tenho energias para descansar.

Felizmente aluguei 4 filmes para assistir nesse caos que é o fim de ano. Caos não só por todos esses motivos que falei, mas também pelo fato de ninguém entendê-los e achar que o Natal, o Ano Novo e as férias merecem tamanha dedicação tanto quanto todo o resto do ano. Eu, exaurido como estou, não consigo decidir nada agora. Nem consigo decidir que flor comprar pra colocar no ról de entrada ou o sabor da pizza, quem dirá o tamanho da árvore ou o lugar das luzinhas piscantes.

Por isto aluguei os filmes, para me distrair das obrigações caóticas de um fim de ano exigente. Peguei Volver, La faute à Fidel!, 8 Femmes e Man On Wire. Queria rever Un Conte de Noël, mas não me deixaram pegar filme repetido. Para completar minha jornada cinematográfica, assisti a Do Começo ao Fim semana passada.

Não vou resenhar nem criticar ou comentar nenhum dos filmes. Estou cansado, caso não tenha ficado claro. Tanto é que o único motivo pelo qual vim aqui escrever foi para anunciar que vou viajar. Mas daí que uma coisa leva a outra e acabei expurgando uns demônios ao escrever.

Mas por fim: vou viajar. Finalmente decidi o dia. Foi uma coisa meio cabo-de-guerra: minha mãe exausta do lado dela e eu do meu, os dois brigando para jogar ao outro a responsabilidade de decidir a viagem. No fim, ela decidiu as passagens e eu fiquei com a hospedagem e roteiro. Acordo injusto.

Em Janeiro, depois da rematrícula, dos médicos, das baladas com os colegas e antes de voltar tudo de novo, yo me voy para Buenos Aires.

Se alguém tiver dicas, mande-as por favor.

 

Hasta.





Menor Major

22 11 2009

Vigésimossegundo, venha.

Doubleshot, 22nd - peve

Era um início de tarde, quando o calor atinge seu ponto máximo, a água da bica é quente, o asfalto das ruas é grudento e não se percebe a mais leve brisa no céu sem nuvens.
O menino estava sentado no degrau do portão da casa com os pés na calçada, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos em vê segurando o queixo. Vestia shorts e camiseta e calçava sandálias. Devia ter sete ou oito anos de idade e olhava para as coisas com lentidão, os olhos castanhos parecendo derreter sob o sol de verão. Não olhava a rua como se estivesse à espera de alguém, olhava a calçada fronteira pelo simples fato de que era para aquela direção que estava voltada a cabeça apoiada entre as mãos. Parecia estar à espera de alguma coisa que sabia demorar muito a chegar.
(trecho de “Meio-dia” de Luiz Alfredo Garcia-Roza)