Na boca não!

22 01 2009

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Gente. Adorei esse Windows Live Writer. É tipos um Word só que específico para postagens online. Fantástico. Muito melhor que aquela janelinha chinfrim do blogger.

Bom, novamente vou deixar a Unesp de fora deste post, porque sabe como é, né? Férias…

pas1Mais uma vez fui ao cinema! Dessa vez, foi um date, por assim dizer. E irônico, para dizer o mínimo. Fui assistir ao Pas sur la bouche (“Na boca não”, 2003), de Alain Resnais. Foi uma delícia. O filme é muito gostoso, bom. Como o outro que eu vi dele — Coeurs (“Medos Privados em Lugares Públicos”, 2007), em cartaz no HSBC Belas Artes há um ano e meio (por isso, não tem desculpa pra não ver) — só que duplamente melhor!

O filme se autointitula uma operetta, o que (segundo o Wikipedia) é uma “pequena ópera” (…) “leve em termos tanto na sua substância musical como no conteúdo do assunto”, mais recitativa do que cantada, e mais próxima ao gênero ópera do que aos teatros musicais.

É um remake de uma opereta, pelo que parece, do começo do século XX. E pode ser encarado como uma adaptação para a tela, já que a estética do palco não sai da película. Aliás, muito bem interpretada: Sabine Azéma, Audrey Tautou, Lambert Wilson, Isabelle Nanty, Pierre Arditi, Jalil Lespert e Daniel Prévost.

E são tantas as músicas e num ritmo extremamente leve. Do assunto não sei se posso falar o mesmo. Adultério é leve? Não? Pedofilia é leve? Não também? OK! Os assuntos foram tratados de maneira leve, mas até aí, o que não é homeopático hoje em dia?

Pois bem, antes do filme começar: um pedido de beijo. Não aconteceu. O filme inteiro: na boca não. Sacaram a ironia?

Pelo menos rendeu boas risadas e quero pensar que isso não estragou o clima da noite. Além disso, por mais que pareça aquela história de: “não quero estragar a amizade”, eu tenho certeza de que não passa por isso, não há intimidade pra que role algo. Odeio quando clichês se tornam necessários, mas são realmente verdadeiros.

Beijos (me recuso a fazer a piadjinha)

pas2Pôster do filme (movie poster)

Guys, I’m in love with Windows Live Writer. Way better than that crappy blogger window.

Once again, I’ll leave the college out of this post. You know how it goes – it’s holidays!

I went to the movies last Tuesday, and this time it was a date (if we can put it that way) and ironic to say the least! I wacthed Alain Resnais’ Pas sur la bouche (“Not on the lips”, 2003). Wonderful, delicious! Just like the other Resnais I saw before, Coeurs (“Private Fears in Public Places”, 2007), only twice better.

The movie calls itself an operetta, what according to Wikipedia is a “short opera”, “light in terms both of music and subject matter”, and closer to the opera genre than to musical plays.

This movie is a remake of an operetta from the beginning of the 20th century, and it can be considered an adaptation for screen, since it’s impossible to ignore the stage aesthetics. By the way, a very well played one: Sabine Azéma, Audrey Tautou, Lambert Wilson, Isabelle Nanty, Pierre Arditi, Jalil Lespert e Daniel Prévost.

And it’s so many songs, and in such a light rhythm. I’m not sure the same can be said of its subjects. Is infidelity light? No? Is pedophilia light? Not as well? But trauma is, right? No? OK! The subjects were touched lightly, but as far as that what isn’t diet nowadays?

Before the movie began to roll: a kiss proposal. It didn’t happen. The whole movie: not on the lips! Get the irony now?

At least it granted some good laughter and I like to think it didn’t ruin that night’s vibe. Besides, although it sounded that whole “don’t wanna mess with our friendship” thing, I’m sure it’s not that, there’s just not enough intimacy for something to happen. I hate when cliches sound real and the most appropriate thing.

Kisses (I refuse to make the joke)

NOTA / NOTE
A primeira imagem é da estréia da opereta original, em 1925.
The first image is from the original operetta release, in 1925





Dose dupla de Chiara Mastroianni

3 01 2009
Antes de me engraçar com esse post, já vou avisando que se eu me irritar terrivelmente e o post acabar do nada é porque o teclado me boicotou. Aliás, o teclado não, mas sim sua tecnologia Wi-fi, que vive em low signal.

Buenas. Vou ser breve porque estou atrasado. Ainda tenho que dar um tapa (as in arrumar) aqui em casa, tomar um banho e ir à mercearia antes de finalmente sair ao cinema. Ah, e una fiesta del mojito afterwards.

Por falar em cinema, ontem fui ao cinema. Resolvi correr numa maratona dois filmes franceses com Chiara Mastroianni. Sabe? Aquela que é filha do Marcello Mastroianni com a Catherine Deneuve. Meio que uma princesa na hierarquia cinematográfica, mas isso só existiria em hollywood. Gosto de pensar que a Europa é mais democrática nessa questão de privilégios.

Chiara Mastroianni em “Les Chansons d’Amour”

Nos dois filmes, ela fez um papel coadjuvante. BEM mais no primeiro. Christophe Honoré (o mesmo diretor de “Les Chansons d’Amour” — Canções de Amor — *sigh*) dirigiu esse outro, “La Belle Personne” (A Bela Junie) e apesar de um elenco novinho em folha com atores vigorosos, bem encorpados, atraentes, jovens, cheios de hormônios pra ejacular, ele utilizou uns 80% do elenco de Canções de Amor, a maioria como coadjuvantes. Só pode ser uma brincadeirinha dele, uma daquelas que massageia o cérebro e o ego daqules estudantes de cinema que acabaram de comprar o box com tooodos os “Poderoso Chefão”. Mas confesso que eu ri. Não sei de quê, mas achei engraçado ele colocar o elenco inteiro do Canções como professor de russo, italiano, o bom moço que se mata etc. Ah! E a quem se pergunta que papel fez Chiara Mastroianni… Ela se limitou a “La Jeune Femme dans le café”, ou “A moça no café”. Assim… Daqueles papéis sem fala, só um sorriso, nada mais, aqueles que você acha que alguma miss brasileira faria no filme da Xuxa, sabe?

Por isso eu adoro o cinema europeu, deshierárquico, e o bom humor francês. Parece que a mensagem é mais importante que tudo. Se bem que posso estar cego.

Chiara Mastroianni e Melvil Poupaud em “Un conte de Noël”

O segundo filme: “Un conte de Noël” (Um Conto de Natal) estrelou mãe e filha: Catherine e Chiara. Se bem que a mãe era de fato a protagonista, por assim dizer, enquanto a filha era a nora que todos os homens da família já tinham, queriam ou estavam em vias de catar. Ah! Esse sim um filme de comédia. Eu ri. Rolou uma ponte com “Coeurs” (Medos privados em lugares públicos), devido ao enquadramento e direção de foco, apesar da movimentação da câmera ser bem diferente.

A história é sobre uma família muito… Não sei se “diferente” seria a palavra pois acho que toda a irreverência deles se refaz na atitude francesa diária. Mas quem sou eu pra saber qual é a atitude francesa diária? Bom, talvez seja uma família irreverente e ponto. Não diferente, nem única, apenas irreverente.

Um dos quatro filhos de Junon (Deneuve) morreu ainda pequeno e isso assombra a família inteira. Dos filhos restantes, dois “brigaram” deixando de se ver por uns anos. E toda a família acatou a decisão até que diplomática dos dois, ou da filha, que foi quem não quis ver mais o irmão. Junon contraiu um tipo raro de câncer que só um transplante de medula poderia dar-lhe alguns anos. Pois bem, como somente o filho “banido” e o neto por parte da filha são compatíveis para o transplante, decide-se a reunião da família para a comemoração do Natal e a decisão do transplante. Daí em diante, toda a irreverência e coisas que somente pessoas como os franceses podem fazer. Vão ver. Vale o tempo.

Bom, agora vou-me que estou atrasado. Beijos grandes e hasta mañana.